O Budismo chegou ao Ocidente num momento histórico singular. Diferentemente das antigas transmissões para China, Tibete ou Japão, ele não encontrou uma civilização tradicional estruturada por cosmologias sagradas, mas um mundo moldado por ciência, secularismo, psicologia, capitalismo global, individualismo e crítica pós-moderna. Isso significa que o encontro contemporâneo entre Dharma e modernidade não é apenas geográfico e cultural: é um choque entre formas radicalmente distintas de compreender a realidade, o sujeito e a própria ideia de verdade. Talvez nenhuma figura tenha tentado pensar esse encontro de maneira tão ambiciosa quanto Ken Wilber. Filósofo integral, Wilber propõe que estamos assistindo não apenas à adaptação do budismo ao Ocidente, mas ao surgimento de uma nova fase histórica do próprio Dharma — aquilo que ele especulativamente chama de um possível “quarto giro da roda do Dharma”. A expressão é provocativa. Tradicionalmente, o budismo reconhece três grandes ...
Reflexões Sobre o Despertar