O século XX foi marcado por grandes promessas. A ciência parecia destinada a libertar definitivamente a humanidade da ignorância. A industrialização prometia prosperidade para todos. A democracia era apresentada como o caminho inevitável para a paz, enquanto diferentes projetos econômicos e políticos disputavam entre si a promessa de construir uma sociedade mais justa. No entanto, à medida que o século avançava, guerras mundiais, crises ambientais, desigualdades persistentes e um crescente vazio existencial revelaram uma realidade desconcertante: o progresso técnico não havia sido acompanhado por um progresso equivalente da consciência humana. Essa constatação levou inúmeros pensadores a diagnosticar a crise da modernidade como uma crise das instituições, dos sistemas econômicos ou das estruturas políticas. Entretanto, uma discreta linhagem do Zen Sōtō japonês começou a formular uma hipótese muito mais profunda. Talvez a verdadeira crise da civilização não estivesse, em pri...
Reflexões Sobre o Despertar