Ao concluir esta série sobre a Mandala Vajra, talvez possamos retornar à pergunta que a inaugurou.
O que é, afinal, a Mandala Vajra?
Depois dessa longa travessia, torna-se difícil responder por meio de uma definição.
Talvez a Mandala Vajra seja menos um conceito do que uma forma de ver.
Uma visão que reconhece a vacuidade sem negar as aparências.
Que contempla as aparências sem perder a vacuidade.
Que integra sabedoria e compaixão.
Que reconhece a natureza desperta da mente sem afastar-se da vida cotidiana.
Ao reunir, em uma linguagem singular, ecos do Madhyamaka, do Yogācāra, do Dzogchen, da tradição Nyingma e de uma pedagogia aberta ao diálogo com outras escolas budistas, Lama Padma Samten não propõe uma nova síntese doutrinária. Ele convida o praticante a reencontrar a unidade viva do Dharma para além das fronteiras culturais que marcaram sua transmissão histórica.
Talvez seja essa a grande lição da Mandala Vajra.
A verdade não pertence à Índia nem ao Tibete.
Não pertence ao Japão nem ao Brasil.
Não pertence ao Zen nem ao Vajrayāna.
Ela manifesta-se sempre que a mente abandona suas fixações e reconhece, no instante presente, a luminosidade inseparável da vacuidade.
Como uma mandala que nunca deixou de estar completa.
Como um vajra que jamais perdeu sua natureza indestrutível.
Como o próprio caminho do Buda, que continua encontrando novas linguagens sem deixar de conduzir à mesma Outra Margem.
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